


O que significa “produto médico classe II, III e IV”?
Entender a classe do produto é entender o nível de risco
Ao adquirir um produto para uso hospitalar, você já deve ter visto a informação:
“Produto Médico Classe II”, Classe III ou Classe IV.
Mas o que isso realmente significa?
Essa classificação não é comercial ela é regulatória e indica o nível de risco que o produto oferece ao paciente e ao usuário, determinando o grau de controle exigido pela ANVISA.
Quanto maior a classe, maior o risco e mais rigoroso o controle sanitário.
Como funciona a classificação de risco?
No Brasil, os produtos médicos (dispositivos médicos) são classificados em quatro classes de risco:
Classe I → baixo risco
Classe II → médio risco
Classe III → alto risco
Classe IV → máximo risco
Neste artigo, vamos focar nas classes II, III e IV, que são as mais relevantes no ambiente hospitalar e cirúrgico.
Produto Médico Classe II (Médio Risco)
São produtos que apresentam risco moderado ao paciente.
Exemplos comuns:
Equipamentos de diagnóstico não invasivos
Materiais de contato temporário com o corpo
Alguns dispositivos cirúrgicos não implantáveis
Determinados campos e kits hospitalares
Exigências regulatórias:
Cadastro ou registro simplificado
Documentação técnica
Boas práticas de fabricação
Controle de qualidade validado
👉 Exigem controle, mas não o nível máximo de complexidade regulatória.
Produto Médico Classe III (Alto Risco)
São produtos que entram em contato com o organismo de forma mais invasiva ou prolongada.
Exemplos:
Dispositivos implantáveis
Materiais que entram em contato com corrente sanguínea
Produtos que permanecem no corpo por períodos médios
Alguns dispositivos cirúrgicos complexos
Exigências:
Registro obrigatório na ANVISA
Avaliação técnica mais rigorosa
Estudos clínicos quando aplicável
Sistema de gestão da qualidade certificado
👉 Aqui o controle já é significativamente mais rigoroso.
Produto Médico Classe IV (Máximo Risco)
São os produtos de maior criticidade, que podem impactar diretamente funções vitais.
Exemplos:
Próteses cardíacas
Stents
Marcapassos
Implantes permanentes
Dispositivos que sustentam ou substituem funções vitais
Exigências:
Registro completo na ANVISA
Estudos clínicos robustos
Auditorias frequentes
Rastreabilidade total
Sistema de qualidade certificado (ISO 13485)
👉 São produtos com o mais alto nível de controle sanitário.
Por que essa classificação é tão importante?
A classe do produto define:
Nível de exigência regulatória
Tipo de registro necessário
Grau de rastreabilidade
Complexidade da documentação
Rigor na fabricação
Frequência de auditorias
Para hospitais e clínicas, entender a classe ajuda a:
✔ Escolher fornecedores adequados
✔ Garantir conformidade regulatória
✔ Reduzir risco jurídico
✔ Melhorar a segurança do paciente
Classe de risco x Classificação de Spaulding
É importante não confundir:
Classificação de risco (ANVISA) → baseada no potencial de risco regulatório
Classificação de Spaulding → baseada no risco de contaminação durante o uso
São classificações diferentes, com finalidades distintas.
Como isso impacta a indústria?
Empresas que fabricam produtos Classe III e IV precisam ter:
Sistema de gestão da qualidade certificado
Controle rigoroso de produção
Rastreabilidade por lote
Validação de processos
Conformidade com normas técnicas
Esse rigor garante que o produto chegue ao hospital com segurança comprovada.
Conclusão
A classificação de produto médico classe II, III e IV representa o nível de risco envolvido no uso do dispositivo e determina o grau de controle exigido pela ANVISA.
Quanto maior a classe, maior o rigor regulatório e maior a responsabilidade técnica envolvida.
Para hospitais, compreender essa classificação significa trabalhar com fornecedores adequados e reduzir riscos assistenciais e jurídicos.
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